segunda-feira, 23 de julho de 2012

Relações sociais e questão social na trajetória histórica do serviço social brasileiro

 por Leonia Capaverde Bulla *

Quando o Serviço Social surgiu no Brasil, na década de 30 do século passado, registrava-se no
País uma intensificação do processo de industrialização e um avanço significativo rumo ao
desenvolvimento econômico, social, político e cultural. Tornaram-se mais intensas também as relações
sociais peculiares ao sistema social capitalista.
Quando se coloca em discussão a denominada questão social, dois elementos surgem em
destaque: o trabalho e o capital. A resposta a ser dada ao conflito, entre esses dois pólos, vai depender da
maior ou menor importância que se atribui a um ou outro desses elementos. Para entender melhor essa
problemática, considera-se, de início, o trabalho humano, destacando as relações sociais que se
desenvolvem no sistema produtivo. Focaliza-se, então, o cerne da questão social, a exploração do
trabalho pelo capital, com todas as suas conseqüências para a vida do trabalhador.
O Serviço Social profissional teve suas origens no contexto do desenvolvimento capitalista e
do agravamento da questão social. Para compreender as circunstâncias históricas ligadas ao surgimento
dessa profissão no Brasil, estudou-se o contexto da época em que foi criada no País, a década de 30 do
século passado, considerando-se como eixo central da análise a questão social em seus aspectos
econômicos, políticos e sociais. Nesse contexto, foi promulgada uma série de medidas de políticas
sociais, como uma forma de enfrentamento das múltiplas refrações da questão social, ao mesmo tempo
em que o Estado conseguia a adesão dos trabalhadores, da classe média e dos grupos dominantes, donos
do capital. O governo populista adotava, ao mesmo tempo, mecanismos de centralização políticoadministrativa, que favoreciam o aumento da produção, dando condições para a expansão e a
acumulação capitalista.
Relacionando o Serviço Social com a questão social e com as políticas sociais do Estado,
tornou-se necessário o debate de alguns elementos da problemática do Estado: o Estado liberal, o Estado
intervencionista, e as funções educativas, políticas e sociais que se desenvolvem no âmbito do Estado
moderno. Os processos de institucionalização do Serviço Social, como profissão, estão relacionados com
os efeitos políticos, sociais e populistas do governo de Vargas. A implantação dos órgãos centrais e
regionais da previdência social e a reorganização dos serviços de saúde, educação, habitação e
assistência ampliaram de modo significativo o mercado de trabalho para os profissionais da área social.
O Serviço Social, como profissão e como ensino especializado, beneficiou-se com esses elementos
históricos conjunturais. Ao mesmo tempo em que se ampliava o mercado de trabalho, criavam-se as
condições para uma expansão rápida das escolas de Serviço Social.
continua...

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Educador social, segurança e socioeducador

Educador social: segurança e socioeducador, a conciliação

José Antonio Haas Herculano, Marcelo Gomazzi Gonçalves

Resumo


RESUMO: Este estudo procurou analisar o Educador social, profissional que trabalha como socioeducador e segurança em Centros de Socioeducação onde estão internados adolescentes que cometeram atos infracionais. Busca compreender os desafios contradições inerentes a esta função que envolve duas linhas de ação, a de socioeducador e segurança. O método utilizado envolveu as seguintes técnicas: coleta de informações em literatura e sites na internet, entrevistas e aplicação de questionário, utilizando para calculo do tamanho da amostra, erro estimado de 5% e nível de confiança de 95%, que para uma população de 74 profissionais, resultou em 63 indivíduos pesquisados. Teve como objetivo descrever a função de Educador social, seu papel enquanto segurança e socioeducador, verificar se é possível exercer as duas funções, bem como identificar possível existência de conflitos entre as funções. As conclusões permitem afirmar que existem divergências entre as equipes sendo necessário que os gestores articulem o diálogo dentro das unidades, também permitem afirmar que a dualidade de função é possível e que apesar de provocar conflitos, traz mais vantagens que desvantagens para o sistema, pode-se também concluir que a função de segurança está se sobressaindo sobre a socioeducativa.

Palavras-chave


Educador social. Socioeducador. Segurança. Socioeducação.

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Serviço Social em Revista
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